KURT NIMUENDAJU

Etnólogo alemão, naturalizado brasileiro. Convive com os índios boa parte de sua vida e lança os fundamentos da etnologia brasileira contemporânea. Kurt Unkel (17/4/1883-10/12/1945) nasce em Jena, na Alemanha. Aos 16 anos, após terminar o ensino médio, emprega-se como aprendiz de mecânico-óptico. Na biblioteca da empresa, dedica-se à leitura de textos e mapas sobre a América do Sul. Em 1903 obtém dinheiro emprestado com uma meia-irmã e migra para o Brasil. Trabalha em uma loja de ferragens, em São Paulo, e mais tarde é contratado como cozinheiro da Comissão Geográfica e Geo- lógica de São Paulo. Nesse posto, trava o primeiro contato com os índios, os apapocuvas-guaranis. Adotado ritualisticamente pela tribo, recebe o nome de Nimuendaju, "o ser que cria ou faz seu próprio caminho". Permanece com os guaranis até 1908 e, com base nessa experiência, escreve o diário de campo, Apontamentos sobre os Guarani, publicado apenas em 1954. Como funcionário do Museu Paulista, a partir de 1909, presencia o extermínio da tribo Oti, que dá origem ao livro Das Ende des Oti-Stammes (O Fim da Tribo Oti). Entre 1910 e 1912 relata os primeiros encontros das tribos guarani e caingangues com o homem branco, no interior de São Paulo. Contratado pelo Serviço Nacional do Índio (SNI), percorre o país e faz contatos com várias tribos, como os Tembés, os Timbiras e os Urubus do Gurupi. Vai ao Xingu pela primeira vez em 1916, onde conhece os Jurunas, os Caiapós, entre outras tribos. Nos documentos sobre suas viagens, desenvolve os conceitos de uma etnologia inteiramente brasileira. Em meados da década de 30, visita tribos da Bahia, de Minas Gerais e do Espírito Santo pela Universidade da Califórnia. Trabalha no Museu Emílio Goeldi, no Pará, e no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, nos últimos anos de sua vida. Em 1940 retorna à região do Araguaia para visitar os sobreviventes da tribo caiapó, vítima da violência praticada pelos seringueiros. Morre na tribo tikuna, perto do rio Solimões, no Amazonas. Seu arquivo pessoal é transferido postumamente para o Museu Nacional.



publicado por LUCIANO às 20:06