EDUARDO ANGELIM


Líder político cearense. Chefia o terceiro governo popular da Cabanagem, rebelião ocorrida no Pará e no Amazonas na primeira metade do século XIX. Eduardo Francisco Nogueira (1814-11/7/1882) nasce em Aracati, filho de Pedro João Nogueira e Maria José de Jesus. Aos 13 anos muda-se com a família para Belém. Sua atuação nas brigas lhe vale o apelido de Angelim, uma madeira resistente. Adere aos ideais cabanos por intermédio do cônego Batista Campos, seu amigo. Entusiasmado, engaja-se na luta. Os cabanos declaram a autonomia da província até a maioridade de dom Pedro II, são derrotados por tropas imperiais, mas retomam o poder. Angelim é aclamado presidente em 28 de agosto de 1835, aos 21 anos. Angelim inicia um governo de bases populares e fiel ao acordo político que o levou ao poder. Os rebeldes enfrentam sua mais grave crise interna, e todo o poder revolucionário converge para o líder. Ciente da reação imediata da regência, tenta alcançar a auto-suficiência do Pará. Cria padarias e açougues, aumenta a produção de borracha e monta uma fábrica de pólvora. Mas o bloqueio imperial impede que seus produtos sejam comercializados. A guerra e o surto de varíola que acomete Belém começam a minar seu governo. É obrigado a fugir em 13 de maio de 1836 e é preso em 30 de outubro. Ao fim da revolta, é beneficiado pela lei de anistia com a condição de residir no Rio de Janeiro por dez anos. Na capital do império, após aplaudir discurso contra o governo na Assembléia Nacional, é novamente preso e transferido para o presídio de Fernando de Noronha. De lá, só sai em 1851, para voltar ao Pará. Morre em Belém.



publicado por LUCIANO às 08:50