JOHAN CRUYFF

Ninguém mudou tanto a forma de jogar futebol como Cruyff, o homem que transformou a então modesta Holanda numa potência mundial. Cruyff ( 25/4/1947-) nasce em Amsterdã, Holanda. A mãe o colocou para jogar no Ajax de Amsterdã aos 13 anos e aos 16 já assinava seu primeiro contrato profissional. No jogo de estréia entre os adultos, fez um gol e não saiu mais do time. Aos 19, debutava na Seleção num jogo contra a Hungria, fazendo o gol de empate holandês aos 48 minutos do segundo tempo. Ele foi um revolucionário, um homem que não acreditava no futebol de funções específicas, o único que se conhecia até então. Ele tinha fome de jogo, queria mais do que ficar no centro do ataque esperando a bola chegar. Ia lá atrás, queria marcar o adversário e tirar-lhe a bola e tinha todas as condições de fazer isso: sabia marcar, tinha um fôlego invejável, era exímio no controle de bola em velocidade. Num instante ele alterava o ritmo, cortava para um lado ou para outro, passava a bola e já estava lá na frente para receber. Capaz de chutes longos e certeiros, giros em pequenos espaços, driblava com facilidade, sempre para a frente. Conseguia chegar à área adversária e mostrava ser bom cabeceador e artilheiro. Ninguém via o jogo como ele. Não pensava duas vezes em orientar os companheiros. Coube a Rinus Michels, técnico do Ajax, fazer com que todos começassem a entrar no espírito, exercendo variadas funções em rodízio dentro de campo. Essa tática revolucionária transforma o time holandês no maior da Europa e quando transposta para a Seleção transforma o mundo do futebol. Está criado o Carrossel Holandês. Em 1973, Cruyff deixa o Ajax para jogar no Barcelona, na mais cara negociação da história até então. Paga o investimento sendo o melhor jogador do Campeonato Espanhol de 1974 e seu time catalão como campeão, colocando fim em um jejum de 14 anos. No mesmo ano, leva a Seleção à Copa do Mundo, depois de 20 anos de ausência, e termina vice-campeão mundial. Ganha a Bola de Ouro de melhor jogador da Europa em 1971, repete o feito em 1973 e 1974, ficando em terceiro lugar em 1975. Foi o Esportista da Holanda em 1971, 1973 e 1974.O capitão holandês tinha um gênio difícil. "Nunca na minha vida aceitei uma ordem", garante ele até hoje, com indisfarçável orgulho. Brigou várias vezes com os dirigentes de seu país e acabou abandonando a Seleção pouco antes da Copa de 1978. Cansado de ser perseguido com violência nos gramados espanhóis, onde chegou a ter uma perna quebrada, Cruyff deixa o Barcelona para duas temporadas nos Estados Unidos. Acaba voltando para a Holanda, onde joga até os 37 anos, sendo apontado como o melhor jogador do país em 1983 e 1984. Encerrada a carreira, Cruyff se torna um técnico de sucesso em dois de seus principais ex-times. Ganha um título holandês pelo Ajax e vai para o Barcelona. Com a equipe catalã, ganha dois títulos espanhóis, uma Copa do Rei e uma Copa dos Campeões, quebrando ainda o recorde de permanência de um técnico no clube: nove anos. Sua personalidade forte provocou inúmeros atritos com jogadores como Romário e Stoichkov, que acabou afastado do clube por ordem de Cruyff. Teve ainda um infarto, que lhe custou uma cirurgia para a implantação de pontes de safena no coração. Hoje o holandês leva uma vida mais tranqüila. Não está dirigindo equipe alguma, apenas cuida de seus negócios e trabalha esporadicamente como comentarista.
publicado por LUCIANO às 10:30